A METAMORFOSE
A barata encontrou dificuldades em se levantar da cama. Cambaleou e caiu. Desistiu e seguiu rastejando até o banheiro onde se deparou com o espelho. Com a minha aparência se sentiu tonta. Isso era um absurdo! Como poderia um ser sentir tantas vontades e tantas impressões ao mesmo tempo? Como poderia se bombardear a si mesmo mentalmente? Antes a pobre barata adorava dar voltas em torno das lâmpadas, mas agora era muito estranho dar voltas em torno de si mesma. Sentiu vontade de voltar a ser o que era antes: a “temida” e “repugnante” barata.
Alguém bateu na porta. A barata se resguardou um pouco. Bateram de novo. Tentou dizer algo, mas saiu apenas um som gutural. Depois ouviu: “Sempre se espreguiçando e dormindo mais do que deve... Ah, desisto”.
Tentou novamente andar. Era difícil se equilibrar. Aliás, sempre foi muito difícil ser uma pessoa equilibrada, não era fácil. Conseguiu ficar de pé. Deu quatro ou cinco passos e sentiu ter pisado em algo. Havia pisado em mim. Eu tinha acordado e tinha me visto transformado em uma barata.




