Anninha
"Anninha, você é o primeiro bis da caixa de chocolate, é a cosquinha agradável no pescoço, é a broa da padaria feita na hora, é a sensação de descobrir que aquele CD preferido não estava arranhado, é o cheiro de chuva naqueles dias em que a gente acorda com preguiça.
É a beliscada na carne antes do almoço, é a energia chegando após um blecaute, é a raspa do tacho do brigadeiro, é a pilha nova do controle remoto, é a página do livro que a gente tem vontade de destacar e guardar no bolso (mesmo que o livro seja da biblioteca).
É a lembrança de um número de telefone antigo que nunca foi esquecido, é o alívio depois do xixi, é o lençol cheiroso e friozinho, é o barulhinho da rede quando a gente se balança por causa do calor, é a pedrinha de açúcar que é a quantidade perfeita pra açucarar o café, é a bolsa de viagem com tudo dentro (dando a sensação de que não se esqueceu nada), é chegar na parada e ver que o primeiro ônibus a passar é o seu.
É chegar em casa e perceber que um aguaceiro começou a desabar lá fora, é a conexão boa, é a primeira da fila, é o algodão depois da injeção, é a guerra de travesseiros entre amigos, é chutar o castelo de areia, é o gelo que não deixa o suco esquentar."
Eu ia publicar isso postumamente ou depois da minha morte - o que viesse primeiro. O fato é que fiquei muito preocupado no que postar num blog que é um site-diário, ou coisa assim, e que não é nem meu. Sou frustrado com diários. O meu último joguei pela janela porque não sabia guardar segredos - deixava-se ler por todos. Da mesma forma sou frustrado com sites: Joguei o computador pela janela também. Enfim...
Helber




