Nós/Eu
2004-07-11
Este reflexo desconexo do meu rosto foi posto com desgosto. Ao gosto de outros posto. Querendo e sendo mais de um. Para de mais de um ser. Para mais de um sirvo, mais de um alguém, mais de uma coisa, mais de uma função, mais de uma profissão, mais de um dia, mais de um jeito, mais de um lugar. Sou eu querendo ser nós.
Sinto em meu cinto de inutilidades fartas armas, farpas fartas de sarcasmo escassas de orgasmo. Um cinto só. Um sinto só. Sinto que minto. Minto contra meu desejo, desejo o beijo... “Um beijo e um queijo.” Mais desejo, da boca, da pele, da coisa louca, do caso e, por acaso, dizer que caso, ouvindo perto do ouvido suado, molhado aquela voz já rouca.
Se sou um, minto. A mente sente uma semente de pensamento, que há somente uma só mente. Sente que sou mais. Eu sou aquele senhor na rua, aquele homem no porão, aquela menina na sala, a moça no colchão, aquela mulher no apartamento, a garota na janela, aquele cuidando do jardim, aquela com o gato na mão, aquele doutor, aquela prostituta, aquela avó, aquele rufião.




