Brancolejos
Quem ali chegasse, na sala em que ela jazia só, acostada nas arestas, na sala quieta com azulejos brancos, estes "brancolejos" refletindo o sol tropical de meio-dia, as flautas do clássico explorando a acústica boa dos lugares vazios...quem ali chegasse, poderia escutar um a um de seus pensamentos, todos em harmonia com os violinos discretos.
Não, não, os pensamentos não eram brandos, mas corriam o cérebro devagar porque a alma era confusa, tão confusa quanto as músicas modernas que os homens ouvem com as mãos tapando os ouvidos. Ela, da mesma forma, pensava para des-pensar, criava a idéia e repudiava a construção de imediato.
E quando ela se deu conta que tudo estava bonito demais, que a música tocava só para ela, quando se percebeu dona de trilha musical própria, quase como diva de cinema, e imaginou que alguém lhe filmava secretamente, ela absorta em suas meditações, quando tudo soou real, a multidão chegou e surpreendeu a música perfurando a gravidade, roendo-lhe a carne, absorta em seus pensamentos, ouvindo piano de olhos fechados, e lhe supuseram autista.




