Eu + Tu = ?
Nesta tal discussão, dizia eu que trate seu amor como seu melhor amigo ou tenha seu melhor amigo como seu amor, apaixone-se pelo homem ideal ou jure nunca mais olhar na cara daquele cafajeste que te traiu por 4 anos, arrisque-se pelo modelo "chefe-encucado-divorciado-com-filhos-workaholic" ou escolha o alvo com toda prudência e canja de galinha, mas desafiando os dogmas, as lógicas, as leis, os sentimentos pregam-nos peças e o destino zomba de nós. Para o amor de nada valem axiomas ou frases de efeito.
Ela pode ser uma Aurélia de José de Alencar, dona de seus atos, voluntariosa, elegante; ele pode ser um Tom Sawyer, um moleque lúdico e desastrado, mas ainda assim os dois compõem o que meus avós chamariam de “casal 20”. Você pode ser atento, cauteloso e equilibrado, mas escolher o mais inconveniente dos parceiros. Pode ter o cuidado de uma mãe judia, o mesmo poder de atração que a gravidade, a paciência de monge, pode combinar o acre e o doce com a perfeição de um chef e ainda assim estar aquém das expectativas do seu amor – e nada vale dizer que ele não merece nada disso, que ele fez isso e aquilo, que ele é um filho desta ou daquela: você se culpa por não atende-lo em suas exigências.
Ele, por sua vez, pode ser um gentleman: que aja como um lord e finja não perceber sua lordose ridícula, que te patrocine todos os tratamentos estéticos – embora ele jure por todos os santos e pela santa mãezinha dele que você está linda e não precisa –, que embarque nas suas alucinações e te promova a mais doce alunissagem (“fly me to the moon...”); nada importa, você o esnoba – e de nada vale dizer a si mesma que nunca mais na vida achará homem tão dedicado, que ele é exato o que sua vó identifica como “moço direito”, que ele tem tudo o que você sempre quis; você não o quer.
Enquanto isso, nos bastidores, os demais bichos realizam seus rituais de acasalamento sem advogados ou juízes de paz, sem bens ou joguetes. Oh, meu Deus, por que ser humano?
Dina, contudo, ofertou o mais fofo dos elogios – que eu registro aqui em postura bem cabotina e propagandista – o que me leva a ressuscita-lo.




