Writing letters on my wall

Eu + Tu = ?

2004-01-19
Há alguns dias, em uma divertida terapia de grupo via internet, discutíamos sobre as fórmulas, macumbas, simpatias e rezas capazes de fazer um relacionamento deslanchar. Eu dizia que, pelo menos segundo minha curta e trágica experiência, amor é sorte. Amor não segue regramentos, etiquetas, convenções ou prazos.

Nesta tal discussão, dizia eu que trate seu amor como seu melhor amigo ou tenha seu melhor amigo como seu amor, apaixone-se pelo homem ideal ou jure nunca mais olhar na cara daquele cafajeste que te traiu por 4 anos, arrisque-se pelo modelo "chefe-encucado-divorciado-com-filhos-workaholic" ou escolha o alvo com toda prudência e canja de galinha, mas desafiando os dogmas, as lógicas, as leis, os sentimentos pregam-nos peças e o destino zomba de nós. Para o amor de nada valem axiomas ou frases de efeito.

Ela pode ser uma Aurélia de José de Alencar, dona de seus atos, voluntariosa, elegante; ele pode ser um Tom Sawyer, um moleque lúdico e desastrado, mas ainda assim os dois compõem o que meus avós chamariam de “casal 20”. Você pode ser atento, cauteloso e equilibrado, mas escolher o mais inconveniente dos parceiros. Pode ter o cuidado de uma mãe judia, o mesmo poder de atração que a gravidade, a paciência de monge, pode combinar o acre e o doce com a perfeição de um chef e ainda assim estar aquém das expectativas do seu amor – e nada vale dizer que ele não merece nada disso, que ele fez isso e aquilo, que ele é um filho desta ou daquela: você se culpa por não atende-lo em suas exigências.

Ele, por sua vez, pode ser um gentleman: que aja como um lord e finja não perceber sua lordose ridícula, que te patrocine todos os tratamentos estéticos – embora ele jure por todos os santos e pela santa mãezinha dele que você está linda e não precisa –, que embarque nas suas alucinações e te promova a mais doce alunissagem (“fly me to the moon...”); nada importa, você o esnoba – e de nada vale dizer a si mesma que nunca mais na vida achará homem tão dedicado, que ele é exato o que sua vó identifica como “moço direito”, que ele tem tudo o que você sempre quis; você não o quer.

Enquanto isso, nos bastidores, os demais bichos realizam seus rituais de acasalamento sem advogados ou juízes de paz, sem bens ou joguetes. Oh, meu Deus, por que ser humano?

  • Eu pensei em matar este blog. Sou muito crítica, muito capricorniana, muito caxias para manter um diário sem ser diário ( sim, sim, mandamos a periodicidade às favas ) e para receber emails ou comentários negativos a respeito dos meus escritos.

    Dina, contudo, ofertou o mais fofo dos elogios – que eu registro aqui em postura bem cabotina e propagandista – o que me leva a ressuscita-lo.