Writing letters on my wall

Tema Único, a ESTRÉIA

2004-03-01
É agora. Olhares sistematicamente percorrendo o caminho “dedos que brincam com o envelope - microfone alvissareiro”. Um suspiro lá na frente, um murmuro ao microfone. Ela arregala os olhos, como se seus ouvidos fossem visuais. Seu par aperta-lhe a mão delicada com confiança. Só um segundo mais. O envelope está cuidadosamente lacrado; a cerimônia é séria. De tempos em tempos ela leva a mão até a boca, não sei se numa tentativa inocente de impedir o refluxo gastro-esofágico ou num charminho estranho. Paralelo ao silêncio exterior incômodo, tambores rufam ritmados dentro daquela cabecinha penteada com exuberância. Sim, sim, ela está linda, estelar, em seu vestido rodado e sua pele salpicada de discretos brilhos.

É agora. Quesito Mestre e Sala e Porta-Bandeira. Mangueira. Nota dez!

Cá entre nós, “nosso” Oscar é muito mais divertido. Aqui, nota a nota comemoram com gargalhadas, aplausos, uivos, grunhidos, batuques, palavrões, cuspes; tudo muito vibrante, muito vivo, muito samba, suor e cerveja. Lá, indicação a indicação repetem-se os sorrisos plásticos, os chorinhos, os “I´d like to dedicate this award to my beloved wife”. O tio Sam merecia uma batucada brasileira na noite do dia 29, mas nem isso soube aproveitar.

Eu já sabia.

· O que mais meu cérebro conseguiu protocolar, processar e julgar depois das onze da noite de domingo:

· No mínimo “bonita” a humildade de Meirelles e “team” em suas entrevistas que precederam a entrega das estatuetas;

· Não digo que fiquei tristíssima por não terem eles levado nenhum dos prêmios porque: 1) eu não tinha realmente grandes esperanças acerca disso; 2) concorrer com “Lord of ‘the Oscars’” é desleal, haja vista tempo de produção, dimensões da equipe, verba empregada, etc. Não sejamos dramáticos; simplesmente não dava;

· O que mais me entristece é saber o quanto isso era importante pro Laranja :-);

· Não assisti a “Cold Mountain”, mas a tirar pela trilha sonora trata-se de uma biografia da Enya.

· Eu estava dormindo ou o Tom Cruise não foi filmado mesmo? E se ele não compareceu, eu aposto que aqueles agradecimentos de Renée a ele eram só para ferir Nicole. Inveja mata, mas no caso de Renée, engorda;

· E que brilhante atriz é Nicole, fingindo aquele deslumbrante sorriso enquanto a “Bridget” elogiava seu ex. Tudo pelo social;

· Em “terra brasilis”, este tal de camarote da Brahma foi o fim da feira. Babi, afetadíssima em seu jornalismo de meia-tigela, talvez pensasse ainda estar na Marquês de “Sapocaiu”;

· E “Wanneçah” Camargo dando umas de Luciana Gimenez, esqueciiiiida do português, fingindo-se confusa, falando em “Noms” ( de “Nomination” ) em lugar de “indicação”. Faça-me o favor!

· E que susto me pregou a Julia Roberts quando suspirou e permaneceu calada por alguns longos segundos, dando-me a nítida impressão de que esquecera o texto em homenagem a Kate Hepburn;

· E não passou despercebido o jeito incrivelmente infantil com que Liv Tyler aplaudia as indicações. A mim pareceu patético, mas ouvi comentários sobre uma implícita sensualidade naquela cara de boba. Hum-hum;

· E eu também já ouvi as mais ensandecidas lascívias em nome daqueles óculos de armação moderninha da moça Liv;

· Simpatizo muitíssimo com Sofia Coppola. Ela tem cara de latina;

· Voltando aos ares tupiniquins: que tradução terrível aquela do SBT! Sejamos francos: o tradutor era canastrão demais em suas tentativas de “imitar” inclusive a forma jocosa com quem Jim Carrey falava e de cantar no mesmo tom que Billy Crystal. Convenhamos...

· Reservo-me o direito de permanecer calada sobre Catherine Zeta-Jones. No Juízo Final tomarei contas com o Mestre sobre este tipo de injustiça estética que ele comete.

· “Mestre dos Mares” não só é fraquíssimo como é realmente péssimo. :-P

11:22 p.m. :: ::
prev :: next