Writing letters on my wall

Papo sério

2003-12-18
Felizmente deu para ver pelo post passado que nossa Rainha Idolatrada Salve Salve Anna está bem viva, apesar das gripes eventuais e das visitas esporádicas ao mundo bloguístico.

Bom, mas o certo também é que o Reininho não pode ficar parado. Então, venho outra vez lá do "extremo mais oriental das Américas" (expressãozinha clichê pra se referir à Paraíba) atualizar este blog que já é querido por tantos - o que é uma grande responsabilidade.

Lendo o post anterior, uma pergunta me veio: deve-se acreditar em algo?

Eu não falo apenas em termos religiosos, sobrenaturais, mas sim acerca de uma necessidade, que eu não sei se existe mesmo, de as pessoas crerem em algo, de pautarem seus pensamentos e decisões por um determinado prisma.

Mesmo com a Religião deixando de ser parâmetro social há muito tempo no Ocidente, tem muita gente por aí que guia sua vida pela crença que aceitou, focando todas as suas forças pra esse mundo, brigando, discutindo, respirando a Religião. Outros se metem em militâncias políticas. Tornam isso sua razão da viver, como fazem os religiosos com a crença. Só falam disso, defendem, enfim, vivem isso.

Vejo alguns professores em aulas e palestras falando sobre determinados temas, assuntos que passaram metade da vida estudando, e percebo que não falam mais DA coisa - eles já SÃO a própria coisa. E dá pra notar a diferença quando alguém fala de algo, com um tom meio impessoal, distante, e outro fala de si.

Outros têm o mundo empresarial e dos negócios como alicerce, ou o dos computadores, outros têm suas teses, seus projetos de pesquisa, alguns são de partidos políticos, outros torcem para times de futebol, uns são de agremiações de bairro, outros trabalham em ongs, alguns tem bandas de rock...

E ficam as perguntas: você pauta sua vida por algo? É possível participar de algo sem SER esse algo? É realmente necessário crer em algo? A utopia acabou? Muita gente pode dizer que "acredita no amor e na paz", mas na realidade todo mundo acredita nisso. O que muda é que cada um acaba tomando um canal diferente para promove-los, seja em prol da coletividade ou de si próprio.

"Ideologia, eu quero uma pra viver..." (Cazuza)