Writing letters on my wall

Obs:

2004-01-28
  • Como já é de praxe, devido a ausência da nossa Rainha, venho aqui para dar uma espanada, colocar comida pro cachorro, checar a caixa de correio e postar alguma coisa. E que ninguém duvide da vitalidade do Reino.

    Rato de sebo

    "Ih, droga... Lá vem aquele cara denovo..."

    Deve ser isso que os atendentes dos sebos pensam quando me aproximo. Já sou presença costumeira deles. Se há um lugar que venda disco ou livro usado por aqui, lá eu estou, olhando tudo o possível... Na maioria das vezes só olho, o que já é bem divertido. Prateleiras de livros, discos, nada fica imune aos meus dedos ávidos por alguma "novidade".

    Isso deve fazer parte de um instinto anacrônico. Uma das primeiras coisas que aprendi na vida foi a colocar LPs no velho toca-discos National, que tem aqui até hoje. Dire Straits, Michael Jackson e Moraes Moreira eram os meus preferidos. Também tinha uns disquinhos coloridos de histórias infantis muito legais. Não sei como esses eles sobreviveram àquela época, já que crianças têm algo de destrutivo próprio delas...

    Me dá uma angústia quando penso na quantidade de livros, discos e filmes clássicos que nunca vi. Mesmo dispensando a maioria que é irrelevante, ainda assim sobra muita coisa boa, e é aí que reside a angústia. Bate uma aflição só ao imaginar quanta coisa interessante existe por aí e eu nem sequer ouvi falar delas. Penso no tanto que poderia aprender, sentir e vivenciar com tais obras que insistem em não me chegar às mãos - e que talvez nem cheguem, o que é mais aterrorizante.

    Esse foi exatamente o tema da aula de Antropologia de sexta-feira: o conceito de cultura, folclore, cultura de massa, industria cultural, e nesse meio, o retorno à velha (e não menos polêmica) discussão: o que é clássico? Quando uma coisa começa a ser encarada como clássica? Clássico tem a ver com a qualidade ou com o quão popular a coisa ficou? E o Kitsch? E o Cult? Felizmente não chegamos a consenso.

    Dizem que Snoopy é cult e Mickey Mouse é clássico. O seriado do Batman dos anos 60 é clássico, mas Chapolin é cult. Goddart e Truffaut? São cult, mas ninguém se atreve a dizer que Kubrick não é clássico. E "O Gato Fritz" ou "O Amigo da Onça"? Quadrinhos e cartuns totalmente cults, mas o Asteríx é clássico. Nick Drake, Mutantes e Frank Zappa são astros cult, enquanto que o Queen, o Noel Rosa ou o James Brown são clássicos. Vai entender essas denominações...

    O Tom Zé falou uma vez que a fronteira entre o genial e o medíocre é o grotesco, e eu concordo com ele. Independente da estranheza, ou se é atual ou antigo, popular ou desconhecido, que danem-se os rótulos: pra mim o que importa é estar na prateleira. o critério é agradar. E se alguém aí tiver a fim de se livrar de uns LPs, é só dá o toque.

    PS: Qualquer semelhança com "Durval Discos" ou "Alta Fidelidade" não é mera coincidência.

  • Parabéns pro irmão da Anna, o Rodrigo, que casou neste final de semana. Estão vendo, gente? Ainda existe isso...