Writing letters on my wall

O Segundo Amor

2003-12-02
Vocês se lembram daquele personagem antipático da primeira fase de “Malhação” ( sim, houve um tempo de minha vida em que assisti isso ) ? Aquele que um tal de Cláudio interpretava, um judoca apaixonado por leitura que vivia dizendo “bonito isso. Li num livro” ??? Pois bem... Eu li nalgum lugar comparações belas sobre os amores que acumulamos com o tempo e suas diferentes vestimentas. Li e esqueci, mas o tema ficou martelando a cachola.

Nenhum amor jamais será tão eterno quanto o primeiro; esta é uma máxima minha e que assumo como verdade absoluta. Só no primeiro amor a gente esquece as dimensões de tempo e espaço e crê, com poesia, que o homem ao lado – mesmo sendo ele um verdadeiro cavalo alado em erupção – pode ser o aliado encantado a se unir em rito sagrado. Só no primeiro amor a gente lê “tenção” no lugar de “tensão”, pois só por ele a gente bebe cada palavra como jura, promessa, intenção. Só no primeiro amor a gente pensa ser linda a vida de pequeno burguês e é só por ele a gente larga tudo, “carreira, dinheiro, canudo”.

É por essas e outras que eu odeio o amor primogênito. Espero que meus filhinhos o tenham como aquela febre de inverno: que ele chegue só para alertar que já é pronta a idade dos corações aprenderem a bater seguindo um nome. Sai “tum-tum” e entra um “ joão-joão-joão” ou “lúcia-lúcia-lúcia”. Que chegue só como arauto de uma nova era, mas que não se demore muito. Que seja breve, porque inevitavelmente já será eterno pelo mero adjetivo “primeiro”.

Ranzinza, rabugenta, amaríssima. Digam o que quiserem, o fato é que sou contra o primeiro amor. É burro, mas metido a ser o dono de todas as chaves para a cura de todos os males da humanidade. É o pior tipo de cego: não quer ver e tem raiva de quem enxerga. É surdo, mas fala pelos cotovelos. A única coisa interessante dele é a diplofonia ou disfonia - sei lá que termo usar -, sendo impossível àquele apaixonadinho usar uma palavrinha sem um diminutivozinho e um sonzinho engraçadinho que marque um codigozinho entre o casalsinho.

Não quero, não quero mesmo, ser chata. Apenas queria deixar clara a minha preferência pelo “amor pensado”. Eu já senti – e como senti! – os efeitos catastróficos do primeiro amor e é por esta experiência que tenho autoridade para dizer que os “segundos” sempre são mais bonitos, trazem mais paz.

A primeira das Grandes Guerras, por exemplo, foi apenas a “Primeira”, mas não a mais marcante. A “segunda-feira”, por seu turno, é na realidade o primeiro dia da semana. O que forma a hora é um conjunto de “segundos” e não de “primeiros”. As tardes ( segundo período do dia ) têm mais Sol que as manhãs ( primeiro período )... Provas que consolidam minha humilde tese

  • Nós

    Nós que revidamos a tristeza juntos

    a alimentamos a beleza juntos

    pra progredirmos em fazer amor!

    Nós que agradecemos à emoção traçada,

    conjeturando em sensações caladas

    pelos tributos do sorriso e dor.

    Eu, que divulguei a minha mão na tua

    Pra ter em ti a salvação tão nua

    Que agasalha neste espanto a sós!

    Tu, que respondestes ao que eu

    tinha em mente

    pra alimentar meu ar, meu ambiente

    e me aceitou por completo a nós!

    We

    We, who respond to sadness together

    to feed off the beauty together

    to progress to making love!

    We, who are grateful for the marked emotion

    guessing at silent sensations

    for the tributes of smile and pain

    I, who put my hand in yours

    to have in you the naked salvation

    which envelops this amazement alone!

    You, who respond to what I had in mind

    to feed my air, my environment

    and accepted me completely to us. Johnny Alf