Writing letters on my wall

Queira Deus que Deus exista

2004-01-10
Há umas semanas não rezo, há outro punhado de tempo também não acredito que haverá um “depois” – seja ele no céu ou em outra edição minha aqui na Terra. Isso tudo, estranhamente, não torna minha existência sem sentido: se a vida for generosa para mim, terei uma morte por expiração do prazo de validade do meu corpo frágil aos 80, 90 anos. Tenho ainda uns 60 anos para ser intensa, para esgotar minha cota de oxigênio aqui no planeta azul, para ser bem ativa e viva – e depois destes 60 anos será como se eu nunca tivesse existido, nem eu mesma lembrarei de mim.

Se morrer jovem – e sempre tive a impressão cruel de que duraria 24 anos – aí, ironicamente, ainda serei lembrada por uns poucos, gente que poderá jurar que eu ainda seria muito intensa, muito ativa, muito viva, gente que suporá estar ali o corpo frio de uma promessa de competente cientista, mãe sensível, mulher única. E de todos terei o benefício da dúvida.

Eu não sei qual destes será meu fim, mas já não creio que de algum lugar no universo estarei vendo e ouvindo os comentários sobre mim. Minha tese é a seguinte: penso que há uns milhões de pessoas na superfície terrena, todas muito poderosas em suas insignificâncias se imaginarmos que são também trilhões de neurônios anseando, em última analise, a mesma coisa.

Não me arrisco a apontar o nome de quem criou o homem, mas à medida que o fez, deu a ele meio de criar universos paralelos. Se cada ser humano, ridículo, limitado usa apenas 10% de sua cabeça animal e, a despeito disso, maravilhas e engenhosidades são feitas individualmente, o que dizer da potencialidade de milhões de nós pensando em conjunto? Acho, sinceramente, que o "inconsciente coletivo" é apto a reger as marés, a dar cadência ao movimento de rotação, a gerir a “ordem natural”.

Talvez alguém se insurja contra minha teoria, questionando sobre as manifestações espirituais, sobre Chico Xavier, sobre os santos, médiuns e milagreiros. Eu começo a vê-los como pessoas que usam ou usaram mais do que aqueles 10%, o que lhes conferiu habilidade diferenciada, noções distintas de tempo-espaço, possibilidades de projeções mais amplas que aquelas que todos nós, normais, já temos e chamamos de “sonhos”, “sexto sentido”, calafrio, arrepio.

Pelo sim, pelo não, apresso-me a viver e peço a Deus que Ele exista.

Estrela, estrela

Estrela, estrela

Como ser assim?

Tão só, tão só

E nunca sofrer.

Brilhar, brilhar

Quase sem querer

Deixar, deixar

Ser o que se vê.

No corpo nu da constelação

Estás, estás sobre uma das mãos

E vais e vens como um lampião

Ao vento frio de um lugar qualquer.

É bom saber que es parte de mim

Assim como es parte das manhas.

Melhor, melhor é poder gozar

Da paz, da paz que trazes aqui.

Eu canto, eu canto

Por poder te ver

No céu, no céu

Como um balão

Eu canto e sei que também me vês

Aqui, aqui com essa canção

10:30 a.m. :: ::
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