COMO LAIKA, GAGARIN E ARMSTRONG...
Todas essas notícias acerca de Marte e o novo visual daqui do Reino me fizeram rememorar velhas idéias. Muita gente tem vontade de saltar de pára-quedas. Outros já pulam de rapel. Outros ainda descem de tirolesa, saltam de bungee-jumping, parapente, etc, etc... Tudo isso deve realmente fazer a Adrenalina saltar dos poros, mas pra mim seria muito pouco: o que eu queria mesmo era voar de foguete.
Eu não queria nem pisar na Lua, o que seria triplamente especial (faria até questão de derrubar uma bandeirinha que tem lá...). Mas, me bastaria apenas sair da Terra, ancorar com o Ônibus Espacial na Estação Internacional e ficar na janela, só observando. Claro, isso não é algo lá muito fácil de se conseguir. É quase impossível, na verdade. Pra um translado desse tipo, a Nasa cobra uma bagatela de 200 milhões de dólares, uma pechincha. Quem foi um tempo desse foi um dos caras do finado N'Sync (uma boyband, pra quem não lembra).
Alçar um vôo vertical, deixando a Terra e a Atmosfera para trás para finalmente ganhar o espaço sideral deve ser uma sensação única. É como num segundo parto: cortar o cordão umbilical da "Mãe Terra", sair daquele lugar da qual sua existência é mais que dependente... Lá de onde você nasceu, onde está sua família, seus amigos, seus problemas, enfim sua vida - menos você... É bem filosófico tudo isso.
Deve ser estranho ter a volta apenas a imensidão negra do universo, sua infinidade de galáxias, constelações, nebulosas; sem "cima" nem "baixo", "frente" ou "trás". Mais estranho deve ser imaginar que a Terra poderia explodir naquele momento e você nada sofreria. Claro, seria o sumiço dos seus entes queridos e de tudo que a humanidade produziu. Daqui pra frente, você teria apenas que se preocupar com a durabilidade dos suprimentos vitais (o que tira totalmente o brilho da divagação...)
Não faltaria coisa pra se fazer em órbita: curtir a falta de gravidade seria o primeiro impulso; poderia divertir-me tentando distinguir o desenho dos continentes, a Muralha da China, o deserto do Saara, a Amazônia; veria as luzes das metrópoles se acendendo quando anoitecesse lá embaixo; procuraria no espaço algum ponto em movimento e acenaria, ainda que fosse em vão; durante a reentrada rezaria para todas as entidades cósmicas conhecidas; e como se não bastasse tudo isso, na volta pra casa ainda ficaria mais intrigado com os mistérios do universo e as leis que o regem.
E pensar que estamos montados num grão de poeira, gravitando em torno de uma estrela...
PS.: Para quem não percebeu, a Rainha mandou avisar que essas estrelas aqui ao lado são links.




